Mostrando postagens com marcador Michael Jackson. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Michael Jackson. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Por que amo tanto a Pati

Minha Gente, estou completando quatro meses de namoro com a Pati. E hoje farei uma homenagem diferente. Não escreverei um texto elogiando-a ou tentando descrevê-la até porque já fiz isso aqui no blog. Publicarei um texto belíssimo do Reinaldo Fontes contando a história que transformou a vida da Pati. Esta reportagem foi escrita há alguns anos quando ele era aluno de jornalismo da PUCRS. Por causa dessa defasagem do tempo, é claro que alguns dados estão errados. Atualmente, ela não precisa passar o tempo se distraindo na internet, por exemplo. Vocês sabem que, agora, a Pati trabalha comigo na Secretaria Estadual da Saúde.
Mas o que vale é a história, que felizmente terminou com uma final feliz em que eu fui o maior beneficiado já que conquistei uma namorada maravilhosa. E não é uma história comum. Não é qualquer um que supera o que a Pati passou. Vocês logo entenderão porque amo tanto a Pati e por isso estou tão feliz ao lado dela. Aí está o texto (e parabéns ao Reinaldo pela sensibilidade):


Um novo começo

Reinaldo Fontes

O dia 04 de maio de 2009 vai ficar marcado para sempre na vida de Patrícia Gross Jacoby. O que era para ser uma segunda-feira monótona e tranquila, como todas as outras, antecedidas pelo tão aguardado final de semana, transformou-se em episódio marcante para a bela moça de 30 anos. Após um domingo de dores na cabeça e nas costas, as quais poderiam ser explicadas pelas festas dos dois dias anteriores, ela levantou para o trabalho indisposta. As horas seguintes seriam inexplicáveis, já que Patrícia entrou em coma, sem motivo aparente, surpreendendo os médicos do Hospital São Lucas.

Inicialmente, eles acharam que se tratava de uma meningite, diagnóstico pouco conclusivo para os 89 dias seguintes que a gaúcha passaria inconsciente. Recém-formada em Relações Públicas, com emprego na área do marketing e namorando, Patrícia não tinha nenhum histórico de doenças que pudesse explicar o ocorrido, o que desafiava, dia após dia, o conhecimento que os médicos procuravam, em vão, em seus seis anos de graduação. Em meio a avalanche de incertezas e questionamentos estava a família da moça, munida de fé e perseverança.

Nem mesmo a troca de hospital fez surgirem as respostas para aquele caso intrigante e os dias foram passando. Ao pé da cama da jovem estava o namorado, para acompanhar o sono profundo de Patrícia. O mesmo ritual ele repetiu nas 90 noites do período, dormindo em pé, inclusive, quando não havia lugar para repousar. Dona Olva, vó de Patrícia - juntamente com sua mãe, Mara, e a irmã, Carol - se instalara em Porto Alegre dois meses antes, em mudança. A senhora, simpática e sorridente, foi mais uma a se juntar ao drama da neta.

Durante o tratamento, e equipe médica teve duas certezas. A primeira delas, é que Patrícia, numa escala de 1 a 15 para o coma, na qual zero é falecimento e 15 é o despertar, estava no 3. A segunda, não menos preocupante, é que a moça produzira anticorpos contra si, inutilizando, portanto, os medicamentos que recebia. A tristeza no quadro clínico ficara descrita não só na aparência da equipe médica, mas em suas palavras. Os médicos já estavam entregando os pontos e coube à família manter a motivação deles. O mesmo pessimismo foi ainda mais claro no comunicado da psicóloga, que no seu dever de acompanhar o processo com a família, pediu aos parentes que esperassem o pior.

No entanto, naquela mesma noite, quando tudo conspirava contra a vontade indireta de Patrícia de lutar pela vida, ela mesmo tratou de avisar a todos que não se entregaria. No mesmo dia em que a psicóloga havia dito para todos perderem as esperanças Patrícia mexeu a face. Foi o primeiro passo para a redenção da moça. O suficiente para renovar qualquer esperança abalada.

Pouco depois, como um bebê que vem ao mundo, ela abriu os olhos. A recuperação, no entanto, passaria pela eliminação de sequelas, a maior delas até então, a incapacidade de andar. Patrícia despertou, mas seu cérebro ainda precisava voltar à vida. Na readaptação, o desafio de voltar a falar e a locomoção. Com as sessões de fonoaudiologia a voz ganhou sentido novamente. O tempo da inconsciência deixou fracas as pernas de Patrícia, foi então que ela iniciou o processo fisioterápico que se estende até hoje.

Em meio aquele turbilhão de informações provenientes do despertar, duas coisas chamaram sua atenção. A primeira delas, o gosto de uma sopa instantânea levada no hospital pela irmã. Por mais simples que parecesse, deixou Patrícia coberta de alegria, já que anteriormente ela só se alimentara através da sonda. Longe de suas mais importantes impressões na ‘volta ao mundo”, uma curiosidade: Michael Jackson havia falecido.

A volta para casa demorou, mas enfim aconteceu. Cercada de cuidados de seus entes queridos, Patrícia deu início à recuperação que sempre soube ser possível. O namorado esteve junto por mais um ano, até que ela tomou a decisão de pedir que ele seguisse a vida. Nesse momento, a cadeira de rodas tornou-se um desafio, uma separação mais dolorosa.

Para acelerar o processo, ela teve que passar por uma cirurgia de alongamento dos tendões, já que não conseguia apoiar a sola dos pés no chão. A partir daí, três sessões diárias de fisioterapia viraram rotina: uma profissional; outra com a mãe, que com os conhecimentos adquiridos por meio da observação se tornou quase uma fisioterapeuta; e outra espontânea, na qual Patrícia desempenha regularmente exercícios físicos sem nenhuma ajuda.

A certeza de que voltará a andar está sempre com ela, como um amuleto. Desde 2011, Patrícia já dá seus primeiros passos com auxílio de um andador. Também consegue ficar de pé por vários minutos. No computador ela passa boa parte do tempo, se distraindo. Das redes sociais preferiu ficar de fora, para não se sentir desestimulada. Na cabeça, saudades de ir à praia e o desenho de uma vida nova que logo ela terá. No passado, a certeza de que não há motivo para cultivar insegurança por coisas fúteis.

Patrícia não quer ver o tempo passar lentamente, sabe que é uma vencedora e correrá atrás de seus sonhos. Valoriza as pessoas que a acompanham, o poder da vontade e a evolução contínua de seus passos. Leva de sua experiência um longo aprendizado, ato do destino. Um sono prolongado que a fez, sem aparente explicação, não deixar nada para amanhã.