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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Mais um texto do Jorge Amaro publicado no Correio do Povo

Meu Povo, ajudei o Jorge Amaro a publicar mais um artigo no Correio do Povo. Desta vez, ele não fala diretamente das pessoas com deficiência mas trata de preconceito. Vale a pena conferir. O texto é este:

 
                                           Sobre faxineiras e preconceito

Os tempos atuais exigem de nós um repensar. E, além disso, novas formas de agir. A cultura e a história nos transformam e nos ressignificam todo tempo e o tempo todo. Novos e velhos conceitos se apoderam de nossas convicções que jamais serão as mesmas.

Há alguns fatos que nos instigam reflexões. O que leva as pessoas a serem preconceituosas? Como explicar o caso de racismo contra o jogador Tinga no Peru? E ouvir de um deputado federal que quilombolas, gays e lésbicas são tudo o que não presta? São exemplos da contemporaneidade que nos mostra o quanto ainda está enraizado na sociedade o principio da supremacia da opressão para justificar o preconceito.

Sim, há ainda aqueles que acreditam numa concepção de um mundo dividido entre superiores e inferiores. E cor da pele, gênero, opção sexual são alguns atributos considerados rebaixados. A história fez isso. E setores menos progressistas insistem em perpetuar esta história.

Hoje, milhões de filhos das faxineiras, por conta do conjunto de mudanças nas políticas de acesso à educação superior, adentram numa nova ordem social. E ao mesmo tempo, encaram o preconceito em suas mais diferentes facetas. Tinga disse, em entrevista, que você o percebe no olhar. Sua mãe faxineira foi o que o inspirou a ser melhor. Não há falta de dignidade em ser faxineira mas sempre, mesmo que indiretamente, questionamos, pois nós sempre vimos nossas mães negras, em sua grande maioria, como faxineiras. Por que elas não poderiam ser médicas, professoras ou arquitetas? A vida nos mostrava o quanto havia por ser reparado.

Não podemos tolerar nenhuma forma de discriminação. Quem ataca um negro, fará o mesmo com um homossexual, uma mulher ou com uma pessoa com deficiência. A defesa da dignidade humana passa por profundas mudanças na sociedade. E neste aspecto, duas questões são fundamentais. A primeira é a reparação, reconhecendo a necessidade de dar a estes grupos discriminados, igualdade de oportunidades no acesso aos seus direitos. E a segunda, é a criminalização e punição enérgica de toda forma de preconceito. Construiremos um país e um mundo melhor, quando formos capazes de reconhecer a diversidade em todas as suas cores. Como disse o escritor da natureza Henry Thoreau, nunca é tarde para abrirmos mãos dos nossos preconceitos. Só para registro, sou negro, quilombola e filho de faxineira. E com orgulho!

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