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sábado, 22 de setembro de 2012

Mais um artigo do Jorge Amaro: Tradição, inclusão e diversidade


Este artigo do Jorge Amaro, eu não consegui colocar no Correio do Povo (não é todo dia que é dia santo, né Jorge?). Só quem lê o blog conseguirá ler a coluna. Espero que vocês gostem. Aí está:

                                          Tradição, inclusão e diversidade

Liberdade é um valor forte na cultura gaúcha. No hino riograndense está lá, adjetivando nossa principal comemoração, o 20 de setembro, considerado o precursor da liberdade. Mas, afinal, o que é ser livre? Liberdade pode significar o direito de ir e vir, de acordo com a própria vontade, desde que não prejudique outra pessoa.  Também é o conjunto de ideias e direitos de cada cidadão.
Para as pessoas com deficiência (PcDs), ser livre significa ter acesso em todas dimensões, sejam elas físicas, instrumentais, atitudinais e morais. Para atender este direito, o Piquete Segurança dos Pampas, pelo segundo ano, propôs como tema no Acampamento Farroupilha, a inclusão.
O grande desafio de pensar uma nova sociedade, onde a discriminação seja vencida, passa por dois elementos cruciais. O primeiro deles é a formação das pessoas para combater sua ignorância, que vem de um processo de construção de identidade, onde negros; mulheres; gays; PcDs; índios e outras minorias continuam relegadas. O segundo é o empoderamento de todos aqueles que vivem de assistencialismo, que nada mais é do que a transição para um patamar de igualdade. Para isso, porém, são necessárias medidas reparadoras.
Além de pensar o espaço físico, o piquete trouxe, para guardar a chama crioula, Samuel Ferraz, excelente declamador do CTG Pousada da Figueira. Bom, neste caso, a cadeira de rodas é um detalhe, que acaba destacando-se pelas dificuldades de mobilidade no Parque da Harmonia, cujos espaços não dialogam com a acessibilidade universal e tornam a vida do Samuel desigual em relação às outras pessoas.
Crianças e jovens de Alvorada visitaram o Piquete e foram recepcionados pelos cantores Roberto Oliveira e Casemiro Olejenik, que brindaram a todos com canções tradicionalistas. Eles mostraram que a deficiência está nas barreiras que a sociedade impõe e não nas pessoas. Roberto é cego e Casemiro, cadeirante, mas, em primeiro lugar, são indivíduos que precisam de oportunidade para mostrarem suas potencialidades.
Tradição, inclusão e diversidade expressam uma consciência necessária, onde a liberdade, que compõe o ideário Farroupilha, deve estar no cotidiano de forma plena, não somente nos discursos, mas também no cotidiano. E não há, em hipótese alguma, liberdade sem respeito às diferenças e promoção da acessibilidade. Este é um desafio a ser enfrentado pelo tradicionalismo.