sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Havana Táxi

Meus Amigos, vocês sabem que sou de esquerda. Acho que é a melhor opção para o mundo porque, evidentemente, temos mais pobres do que ricos e a esquerda é a única que olha para os pobres. Mas isso não quer dizer que eu seja um esquerdista radical. Há quase dez anos, quando Fidel Castro morreu em Cuba, fiz um texto, aqui no blog, criticando alguns aspectos do sistema da ilha
Na Feira do Livro, comprando um outo livro que teria sessão de autógrafos, me deparei com essa obra da capa ao lado, que também estava sendo autografado naquele dia. Havana Táxi foi escrito pelo norueguês, doutor em antropologia social Stale Wig e saiu pela editora Buzz. 
Entre 2015 e 2018, Ståle morou em Havana para sua pesquisa de doutorado. Para isso, ele comprou um antigo táxi Buick Roadmaster de 1953 e, enquanto dirigia, coletou histórias e relatos de passageiros e outros motoristas sobre as reformas de mercado, como o acordo de relaxamento do embargo econômico firmado entre Barack Obama e Raul Castro e as mudanças sociais na ilha, como a morte de Fidel e a chegada da internet. 
O livro acompanha de perto a vida de três passageiros frequentes — Norges, Linet e Catalina — mostrando como seus sonhos e iniciativas colidem com as estruturas antigas e enraizadas do sistema cubano. Norges é gay e esse é um dos motivos pelos quais teve que sair da ilha. O autógrafo dele está na foto ao lado esquerdo, junto com o de Stale.
Para mim, a obra não foca tanto na história do táxi mas toca em aspectos interessantes do funcionamento de Cuba como, por exemplo, a vigilância da polícia e o suborno aos policiais para que as coisas funcionem. Nunca tinha lido algo que tenha mostrado tão intimamente Cuba e, para mim, ficou muito claro as dificuldades da ilha, algo que eu já tinha criticado no texto de 2016. O primeiro problema é a tirania no socialismo. Nunca tivemos democracia (pluripartidarismo; eleições; liberdade de expressão) no socialismo. O segundo problema é a dependência econômica de outros países. Cuba nunca foi autossuficiente. E isso se reflete na pobreza de grande parte de sua população.
Digo isso com pesar mas, para mim, atualmente, Cuba precisa de um pouco de capitalismo. Digo isso com pesar porque acho o capitalismo muito brutal, muito selvagem mas Cuba não tem mis quem lhe ajude economicamente. Então, acho que a ilha deve aceitar o investimento de algumas empresas estrangeiras para criar empregos.  
O texto de Wig é maravilhoso. Leve; objetivo; envolvente; honesto; comovente, em nada se parece com um trabalho acadêmico. A obra mudou, um pouco, a minha visão sobre o socialismo cubano.   



English:

My friends, you know I'm left-wing. I think it's the best option for the world because, evidently, we have more poor people than rich people, and the left is the only one that looks out for the poor. But that doesn't mean I'm a radical leftist. Almost ten years ago, when Fidel Castro died in Cuba, I wrote a text here on the blog criticizing some aspects of the island's system.

At the Book Fair, while buying another book that would have an autograph session, I came across this work with the cover next to it, which was also being autographed that day. Havana Taxi was written by the Norwegian, PhD in social anthropology Stale Wig, and published by Buzz.

Between 2015 and 2018, Ståle lived in Havana for his doctoral research. To do this, he bought an old 1953 Buick Roadmaster taxi and, while driving, collected stories and accounts from passengers and other drivers about market reforms, such as the agreement to ease the economic embargo signed between Barack Obama and Raul Castro, and social changes on the island, such as Fidel's death and the arrival of the internet.

The book closely follows the lives of three frequent passengers — Norges, Linet, and Catalina — showing how their dreams and initiatives clash with the old and entrenched structures of the Cuban system. Norges is gay, and that is one of the reasons he had to leave the island. His autograph is in the photo on the left, along with Stale's.

For me, the work doesn't focus so much on the history of the taxi but touches on interesting aspects of how Cuba works, such as police surveillance and bribery of police officers to make things work. I had never read anything that showed Cuba so intimately, and for me, the island's difficulties became very clear, something I had already criticized in my 2016 text. The first problem is tyranny in socialism. We have never had democracy (multi-party system; elections; freedom of expression) in socialism. The second problem is economic dependence on other countries. Cuba has never been self-sufficient. And this is reflected in the poverty of a large part of its population.

I say this with regret, but for me, currently, Cuba needs a little capitalism. I say this with regret because I find capitalism very brutal, very savage, but Cuba no longer has anyone to help it economically. So, I think the island should accept investment from some foreign companies to create jobs.
Wig's text is wonderful. Light; objective; engaging; honest; moving, it doesn't resemble an academic work at all. The work changed, somewhat, my view on Cuban socialism.



German:

Meine Freunde, ihr wisst, dass ich links bin. Ich denke, das ist die beste Option für die Welt, denn es gibt offensichtlich mehr Arme als Reiche, und die Linke ist die einzige, die sich um die Armen kümmert. Das heißt aber nicht, dass ich ein radikaler Linker bin. Vor fast zehn Jahren, als Fidel Castro in Kuba starb, schrieb ich hier im Blog einen Text, in dem ich einige Aspekte des Systems der Insel kritisierte.

Auf der Buchmesse, als ich ein anderes Buch kaufte, das signiert werden sollte, stieß ich auf dieses Werk. Das Cover daneben wurde ebenfalls an diesem Tag signiert. „Havana Taxi“ wurde von dem norwegischen Sozialanthropologen Ståle Wig geschrieben und von Buzz veröffentlicht.

Zwischen 2015 und 2018 lebte Ståle für seine Doktorarbeit in Havanna. Dafür kaufte er sich ein altes Buick Roadmaster Taxi von 1953 und sammelte während der Fahrt Geschichten und Berichte von Fahrgästen und anderen Fahrern über Marktreformen, wie etwa das Abkommen zur Lockerung des Wirtschaftsembargos zwischen Barack Obama und Raúl Castro, sowie über gesellschaftliche Veränderungen auf der Insel, wie Fidels Tod und die Einführung des Internets.

Das Buch begleitet drei Stammgäste – Norges, Linet und Catalina – und zeigt, wie ihre Träume und Initiativen mit den alten, festgefahrenen Strukturen des kubanischen Systems kollidieren. Norges ist homosexuell, und das ist einer der Gründe, warum er die Insel verlassen musste. Seine Unterschrift ist auf dem Foto links neben der von Stale zu sehen.

Für mich liegt der Fokus des Buches weniger auf der Geschichte des Taxis, sondern vielmehr auf interessanten Aspekten des kubanischen Systems, wie etwa der polizeilichen Überwachung und der Bestechung von Polizisten, um die Dinge zum Laufen zu bringen. Ich hatte noch nie etwas gelesen, das Kuba so intim darstellte, und mir wurden die Schwierigkeiten der Insel sehr deutlich vor Augen geführt – etwas, das ich bereits in meinem Text von 2016 kritisiert hatte. Das erste Problem ist die Tyrannei im Sozialismus. Wir hatten im Sozialismus nie Demokratie (Mehrparteiensystem, Wahlen, Meinungsfreiheit). Das zweite Problem ist die wirtschaftliche Abhängigkeit von anderen Ländern. Kuba war nie autark. Und das spiegelt sich in der Armut eines großen Teils der Bevölkerung wider.

Ich sage das mit Bedauern, aber meiner Meinung nach braucht Kuba derzeit etwas Kapitalismus. Ich sage das mit Bedauern, weil ich den Kapitalismus als sehr brutal, sehr unbarmherzig empfinde, aber Kuba hat niemanden mehr, der ihm wirtschaftlich helfen kann. Daher denke ich, dass die Insel Investitionen von ausländischen Unternehmen annehmen sollte, um Arbeitsplätze zu schaffen.

Wigs Text ist wunderbar. Leicht verständlich, objektiv, fesselnd, ehrlich, bewegend – er ähnelt überhaupt nicht einer akademischen Arbeit. Das Werk hat meine Sicht auf den kubanischen Sozialismus etwas verändert.



Ukrainian:

Друзі мої, ви знаєте, що я лівий. Я думаю, що це найкращий варіант для світу, бо, очевидно, у нас більше бідних людей, ніж багатих, і ліві — єдині, хто піклується про бідних. Але це не означає, що я радикальний лівий. Майже десять років тому, коли Фідель Кастро помер на Кубі, я написав тут, у блозі, текст, у якому критикував деякі аспекти острівної системи.

На книжковому ярмарку, купуючи ще одну книгу, яка мала б автограф-сесію, я натрапив на цю роботу з обкладинкою поруч, яку також того дня роздавали. «Гавана Таксі» написав норвежець, доктор філософії з соціальної антропології Стале Віг, а видало її видавництво Buzz.

Між 2015 і 2018 роками Стале жив у Гавані для виконання свого докторського дослідження. Для цього він придбав старе таксі Buick Roadmaster 1953 року випуску та під час керування збирав історії та розповіді пасажирів та інших водіїв про ринкові реформи, такі як угода про послаблення економічного ембарго, підписана між Бараком Обамою та Раулем Кастро, та соціальні зміни на острові, такі як смерть Фіделя та поява інтернету.

Книга уважно розповідає про життя трьох частих пасажирів — Норхеса, Лінета та Каталіни — показуючи, як їхні мрії та ініціативи стикаються зі старими та усталеними структурами кубинської системи. Норхес — гей, і це одна з причин, чому він мусив покинути острів. Його автограф є на фотографії ліворуч, разом із автографом Стале.

Для мене робота не стільки зосереджена на історії таксі, скільки торкається цікавих аспектів функціонування Куби, таких як поліцейське стеження та підкуп поліцейських, щоб усе працювало. Я ніколи не читав нічого, що так інтимно показувало Кубу, і для мене труднощі острова стали дуже зрозумілими, що я вже критикував у своєму тексті 2016 року. Перша проблема — це тиранія в соціалізмі. У нас ніколи не було демократії (багатопартійної системи; виборів; свободи слова) в соціалізмі. Друга проблема — це економічна залежність від інших країн. Куба ніколи не була самодостатньою. І це відображається в бідності значної частини її населення.

Я кажу це з жалем, але для мене зараз Кубі потрібен трохи капіталізму. Я кажу це з жалем, тому що вважаю капіталізм дуже жорстоким, дуже диким, але Кубі більше немає нікого, хто міг би допомогти їй економічно. Тому я думаю, що острів повинен прийняти інвестиції від деяких іноземних компаній для створення робочих місць.



Russian:

Друзья мои, вы знаете, что я левый. Я считаю, что это лучший вариант для мира, потому что, очевидно, у нас больше бедных, чем богатых, и только левые заботятся о бедных. Но это не значит, что я радикальный левый. Почти десять лет назад, когда Фидель Кастро умер на Кубе, я написал здесь, в блоге, текст, критикующий некоторые аспекты системы острова.

На книжной ярмарке, покупая другую книгу, на которой должна была состояться автограф-сессия, я наткнулся на эту работу, обложка которой тоже была подписана в тот день. Книга «Гаванское такси» написана норвежским доктором социальных наук Стале Вигом и издана издательством Buzz.

С 2015 по 2018 год Стале жил в Гаване для проведения своих докторских исследований. Для этого он купил старое такси Buick Roadmaster 1953 года выпуска и, во время поездок, собирал истории и рассказы пассажиров и других водителей о рыночных реформах, таких как соглашение об ослаблении экономического эмбарго, подписанное между Бараком Обамой и Раулем Кастро, и о социальных изменениях на острове, таких как смерть Фиделя и появление интернета.

Книга подробно описывает жизнь трех постоянных пассажиров — Норгеса, Линета и Каталины — показывая, как их мечты и инициативы сталкиваются со старыми и укоренившимися структурами кубинской системы. Норгес — гей, и это одна из причин, по которой ему пришлось покинуть остров. Его автограф есть на фотографии слева, рядом с автографом Стале.

Для меня эта работа не столько фокусируется на истории такси, сколько затрагивает интересные аспекты функционирования Кубы, такие как полицейское наблюдение и подкуп полицейских для обеспечения порядка. Я никогда не читал ничего, что так подробно показывало бы Кубу, и для меня трудности острова стали очень очевидны, о чём я уже писал в своей работе 2016 года. Первая проблема — тирания при социализме. У нас никогда не было демократии (многопартийной системы; выборов; свободы слова) при социализме. Вторая проблема — экономическая зависимость от других стран. Куба никогда не была самодостаточной. И это отражается в бедности значительной части её населения.

Я говорю это с сожалением, но, на мой взгляд, сейчас Кубе немного нужен капитализм. Я говорю это с сожалением, потому что считаю капитализм очень жестоким, очень диким, но у Кубы больше нет никого, кто мог бы помочь ей экономически. Поэтому я думаю, что острову следует принять инвестиции от некоторых иностранных компаний для создания рабочих мест.
Текст Вига замечательный. Лёгкий; объективный; увлекательный; честный; трогательный, он совсем не похож на академическую работу. Эта работа несколько изменила моё представление о кубинском социализме.

Текст Віга чудовий. Легкий; об'єктивний; захопливий; чесний; зворушливий, він зовсім не схожий на академічну роботу. Робота дещо змінила мій погляд на кубинський соціалізм.




Spanish:

Amigos, saben que soy de izquierdas. Creo que es la mejor opción para el mundo porque, evidentemente, tenemos más pobres que ricos, y la izquierda es la única que vela por los pobres. Pero eso no significa que sea de izquierdas radical. Hace casi diez años, cuando Fidel Castro murió en Cuba, escribí un texto aquí en el blog criticando algunos aspectos del sistema de la isla.

En la Feria del Libro, mientras compraba otro libro que iba a tener una sesión de autógrafos, me encontré con esta obra con la portada al lado, que también estaba siendo autografiada ese día. Havana Taxi fue escrita por el noruego, doctor en antropología social, Stale Wig, y publicada por Buzz.

Entre 2015 y 2018, Ståle vivió en La Habana para su investigación doctoral. Para ello, compró un viejo taxi Buick Roadmaster de 1953 y, mientras conducía, recopiló historias y relatos de pasajeros y otros conductores sobre reformas de mercado, como el acuerdo para flexibilizar el embargo económico firmado entre Barack Obama y Raúl Castro, y cambios sociales en la isla, como la muerte de Fidel y la llegada de internet.

El libro sigue de cerca la vida de tres pasajeros frecuentes —Norges, Linet y Catalina—, mostrando cómo sus sueños e iniciativas chocan con las viejas y arraigadas estructuras del sistema cubano. Norges es gay, y esa es una de las razones por las que tuvo que abandonar la isla. Su autógrafo aparece en la foto de la izquierda, junto con el de Stale.

Para mí, la obra no se centra tanto en la historia del taxi, sino que aborda aspectos interesantes del funcionamiento de Cuba, como la vigilancia policial y el soborno a agentes de policía para que las cosas funcionen. Nunca había leído nada que mostrara a Cuba de forma tan íntima, y ​​para mí, las dificultades de la isla quedaron muy claras, algo que ya había criticado en mi texto de 2016. El primer problema es la tiranía en el socialismo. Nunca hemos tenido democracia (multipartidismo, elecciones, libertad de expresión) en el socialismo. El segundo problema es la dependencia económica de otros países. Cuba nunca ha sido autosuficiente. Y esto se refleja en la pobreza de gran parte de su población.

Lo digo con pesar, pero para mí, actualmente, Cuba necesita un poco de capitalismo. Lo digo con pesar porque encuentro el capitalismo muy brutal, muy salvaje, pero Cuba ya no tiene a nadie que la ayude económicamente. Por lo tanto, creo que la isla debería aceptar inversiones de algunas empresas extranjeras para crear empleos.

El texto de Wig es maravilloso. Ligero, objetivo, atractivo, honesto y conmovedor; no se parece en nada a una obra académica. La obra cambió, en cierta medida, mi visión del socialismo cubano.



Italian:

Amici miei, sapete che sono di sinistra. Penso che sia l'opzione migliore per il mondo perché, evidentemente, abbiamo più poveri che ricchi, e la sinistra è l'unica che si prende cura dei poveri. Ma questo non significa che io sia un radicale di sinistra. Quasi dieci anni fa, quando Fidel Castro morì a Cuba, scrissi un testo qui sul blog in cui criticavo alcuni aspetti del sistema dell'isola.

Alla Fiera del Libro, mentre compravo un altro libro che avrebbe avuto una sessione di autografi, mi sono imbattuto in quest'opera con la copertina accanto, che era anch'essa in fase di autografo quel giorno. Havana Taxi è stato scritto dal norvegese Stale Wig, dottore di ricerca in antropologia sociale, e pubblicato da Buzz.

Tra il 2015 e il 2018, Ståle ha vissuto all'Avana per la sua ricerca di dottorato. Per farlo, ha acquistato un vecchio taxi Buick Roadmaster del 1953 e, durante la guida, ha raccolto storie e resoconti di passeggeri e altri autisti sulle riforme del mercato, come l'accordo per allentare l'embargo economico firmato tra Barack Obama e Raul Castro, e sui cambiamenti sociali sull'isola, come la morte di Fidel e l'avvento di Internet.

Il libro segue da vicino le vite di tre passeggeri abituali – Norges, Linet e Catalina – mostrando come i loro sogni e le loro iniziative si scontrino con le vecchie e radicate strutture del sistema cubano. Norges è gay, e questo è uno dei motivi per cui ha dovuto lasciare l'isola. Il suo autografo è nella foto a sinistra, insieme a quello di Stale.

Per me, l'opera non si concentra tanto sulla storia del taxi, quanto piuttosto su aspetti interessanti del funzionamento di Cuba, come la sorveglianza della polizia e la corruzione degli agenti per far funzionare le cose. Non avevo mai letto nulla che mostrasse Cuba in modo così intimo, e per me le difficoltà dell'isola sono diventate molto chiare, cosa che avevo già criticato nel mio testo del 2016. Il primo problema è la tirannia nel socialismo. Non abbiamo mai avuto democrazia (sistema multipartitico; elezioni; libertà di espressione) nel socialismo. Il secondo problema è la dipendenza economica dagli altri paesi. Cuba non è mai stata autosufficiente. E questo si riflette nella povertà di gran parte della sua popolazione.

Lo dico con rammarico, ma per me, attualmente, Cuba ha bisogno di un po' di capitalismo. Lo dico con rammarico perché trovo il capitalismo molto brutale, molto selvaggio, ma Cuba non ha più nessuno che la aiuti economicamente. Quindi, penso che l'isola dovrebbe accettare investimenti da alcune aziende straniere per creare posti di lavoro.

Il testo di Wig è meraviglioso. Leggero; obiettivo; coinvolgente; onesto; commovente, non assomiglia affatto a un'opera accademica. L'opera ha cambiato, in un certo senso, la mia visione del socialismo cubano.




French:

Mes amis, vous savez que je suis de gauche. Je pense que c'est la meilleure option pour le monde car, de toute évidence, nous avons plus de pauvres que de riches, et la gauche est la seule à se soucier des plus démunis. Mais cela ne fait pas de moi un gauchiste radical. Il y a près de dix ans, à la mort de Fidel Castro à Cuba, j'ai publié un article ici même, sur ce blog, critiquant certains aspects du système cubain.

Au Salon du livre, alors que j'achetais un autre ouvrage pour lequel une séance de dédicaces était prévue, je suis tombé sur celui-ci, dont la couverture était juste à côté ; il était lui aussi en cours de dédicace ce jour-là. « Havana Taxi » est un roman de Ståle Wig, docteur en anthropologie sociale et auteur norvégien, publié chez Buzz.

Entre 2015 et 2018, Ståle a vécu à La Havane pour ses recherches doctorales. Pour ce faire, il a acheté un vieux taxi Buick Roadmaster de 1953 et, au volant, a recueilli des témoignages de passagers et d'autres chauffeurs sur les réformes économiques, comme l'accord d'allègement de l'embargo économique signé entre Barack Obama et Raul Castro, et sur les changements sociaux à Cuba, tels que la mort de Fidel et l'arrivée d'Internet.

Le livre suit de près le quotidien de trois passagers réguliers – Norges, Linet et Catalina – et montre comment leurs rêves et leurs initiatives se heurtent aux structures anciennes et profondément enracinées du système cubain. Norges est homosexuel, et c'est l'une des raisons pour lesquelles il a dû quitter l'île. Sa signature figure sur la photo de gauche, aux côtés de celle de Stale.

À mon sens, l'ouvrage ne s'attarde pas tant sur l'histoire du taxi que sur des aspects intéressants du fonctionnement de Cuba, comme la surveillance policière et la corruption d'agents de police pour asseoir son pouvoir. Je n'avais jamais rien lu qui décrive Cuba avec autant d'intimité, et les difficultés de l'île m'ont paru aujourd'hui très claires, un point que j'avais déjà soulevé dans mon texte de 2016. Le premier problème est la tyrannie inhérente au socialisme. Nous n'avons jamais connu la démocratie (multipartisme, élections, liberté d'expression) sous le socialisme. Le second problème est la dépendance économique vis-à-vis des autres pays. Cuba n'a jamais été autosuffisante, ce qui explique la pauvreté d'une grande partie de sa population.

Je le dis avec regret, mais à mon avis, Cuba a besoin d'un peu de capitalisme. Je le dis avec regret car je trouve le capitalisme très brutal, très sauvage, mais Cuba ne bénéficie plus du soutien économique de personne. Je pense donc que l'île devrait accepter les investissements de certaines entreprises étrangères pour créer des emplois.

Le texte de Wig est remarquable. Clair, objectif, captivant, honnête et émouvant, il ne ressemble en rien à un ouvrage universitaire. Ce livre a quelque peu modifié ma vision du socialisme cubain.




Chinês:

朋友们,你们都知道我是左翼人士。我认为这对世界来说是最佳选择,因为显而易见,穷人比富人多,而左翼是唯一真正关心穷人的阵营。但这并不意味着我是个激进左派。大约十年前,菲德尔·卡斯特罗在古巴去世时,我曾在博客上撰文批评古巴体制的某些方面。

在书展上,我正准备买另一本有签名会的书时,偶然发现了这本书,它的封面就在旁边,当天也有签名会。这本书名为《哈瓦那出租车》,作者是挪威社会人类学博士斯塔勒·维格,由Buzz出版社出版。

2015年至2018年间,斯塔勒在哈瓦那进行博士研究。为了完成这项工作,他买了一辆1953年产的别克路霸出租车,并在驾驶过程中收集乘客和其他司机讲述的故事,内容涉及市场改革(例如巴拉克·奥巴马和劳尔·卡斯特罗签署的放松经济封锁的协议)以及岛上的社会变迁(例如菲德尔·卡斯特罗的去世和互联网的出现)。

这本书细致地描绘了三位常客——诺尔赫斯、利内特和卡塔琳娜——的生活,展现了他们的梦想和抱负如何与古巴根深蒂固的旧体制发生冲突。诺尔赫斯是同性恋,这也是他不得不离开古巴的原因之一。左边的照片上有他的签名,旁边还有斯塔尔的签名。

对我而言,这本书的重点并非出租车的历史,而是触及了古巴社会运作中一些有趣的方面,例如警察的监视以及为了达到目的而贿赂警察。我从未读过如此深入展现古巴的作品,对我而言,这座岛屿的困境变得清晰可见,而这正是我在2016年的文章中已经批判过的。首要问题是社会主义中的专制。社会主义制度下,我们从未真正拥有过民主(多党制、选举、言论自由)。第二个问题是经济上对其他国家的依赖。古巴从未实现过自给自足。这体现在其大部分人口的贫困之中。

我遗憾地说,就目前而言,我认为古巴需要一些资本主义。我之所以遗憾地说,是因为我认为资本主义非常残酷,非常野蛮,但古巴如今已无人能在经济上帮助它。因此,我认为古巴应该接受一些外国公司的投资,以创造就业机会。

维格的文章精彩绝伦。它轻松、客观、引人入胜、真诚、感人至深,完全不像是一部学术著作。这本书在某种程度上改变了我对古巴社会主义的看法。




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